Montando um Editorial de Moda – Do rabisco a realidade

julho 15, 2010 No Comments

O editorial de moda é um dos mais poderosos instrumentos de divulgação para quem respira e faz moda. Seu objetivo é aplicar conceitos e comportamentos por meio de ensaios fotográficos, sempre com imagens fortes e marcantes.
Muitos são os profissionais envolvidos na realização de um editorial: o produtor, que é responsável por encontrar local, ir atrás de autorizações, vasculhar roupas e acessórios em lojas, além de escalar boa parte da equipe; o stylist, que cuida da parte de montar o visual dos modelos para as fotos; além, é claro, de maquiadores, cabeleireiros e fotógrafo. Na maioria das vezes o produtor acumula a função de stylist, como foi meu caso até hoje.

O primeiro passo para montar qualquer editorial é juntar fotógrafo, produtor e editor da revista ou jornal para uma reunião de briefing, onde é traçado o conceito da imagem que deseja se passar para o leitor.

A partir daí inicia um longo e cuidadoso processo de pesquisa, que pode ser feito através de desfiles, sites, vitrines, livros, revistas, sendo que alguns podem nem ser referentes a moda. Nesta hora, começa a criação da imagem, que deverá ir para o story board, que é um quadro com desenhos ou fotos semelhantes as que serão feitas, contendo referências de luz, pose e cenários. A pesquisa também inclui referências de maquiagem e cabelo que serão mostrados aos profissionais. Todos devem receber a referência antecipadamente para poder se preparar com equipamentos, materiais e, também, com a criatividade.
Cada um tem uma forma de trabalhar, tanto no processo de pesquisa, quanto na montagem e acompanhamento do editorial. Eu, como sou também arquiteta, penso em esboços de imagens e desenho uma história a ser contada.

Durante esta etapa curto discutir a ideia com o fotografo e analisar em conjunto se a luz, cenário e o todo em si é possível para ficar como quero e imagino.

Vencida esta etapa faço a seleção dos modelos que se encaixam no perfil, e também do restante dos profissionais. Na seleção dos profissionais é importante lembrar que é um trabalho coletivo e o entrosamento da equipe faz com que o resultado de uma foto seja ótimo ou desastroso.
Em seguida, vejo quais as roupas cabem no briefing e story board montado e desenho todas as roupas antecipadamente no meu inseparável caderninho de bolso. Ligo para as assessorias das marcas, vou nas lojas e começo o processo de rua, conferindo todos os detalhes devidamente anotados para não se esquecer nada.

Já de posse das roupas e acessórios, sigo para ao local escolhido para o editorial. As fotos podem ser externas ou internas, e nunca sabemos se teremos condições ideais de trabalho, como banheiro, camarim e principalmente se haverá um lugar apropriado para deixar a produção e armar o “circo”. Como o tempo é quase sempre curto e tudo precisa ser feito rapidamente entre uma foto e outra, é necessário que a produção esteja próxima para facilitar a vida de todos.

É preciso ter sempre a mão a “maleta”, que nada mais é que uma caixinha de surpresas de um produtor com tudo que é necessário para todo tipo de imprevisto (grampos para “enxugar” a roupa, produtos de higiene, meias, calcinha, etc). Sempre entra mais um item que você não sabe como ainda não estava na sua “maleta”.

Com tudo aparentemente pronto e organizado convém contar sempre com a possibilidade de alguma coisa dar errado. Organização e auto astral são palavras chave para ajudar a manter o bom humor e a tranqüilidade, principalmente quando o mundo está caindo e é preciso resolver algum pepino de última hora.

Confere cabelo, maquiagem, luz. Tudo dentro da referência? É hora de fotografar! Trocar as roupas dos modelos, dirigir a cena, arrumar a roupa durante o clique, conferir a foto na câmera, destrocar… isso muitas e muitas vezes. Um editorial pode demorar muitas horas. O desta edição (Editorial da www.nextmag.com.br de julho) demorou mais de 7 horas.

Ao final da sessão de fotos, com muito corre-corre; a rotina segue: recolhe-se, dobra e arruma tudo de volta as sacolas, para o carro e para as lojas exatamente como peguei, esperando não ter sustos na desprodução. Sou muito rigorosa no cuidado com as roupas. Caso alguma peça se estrague durante as fotos, informo a loja e compro imediatamente para meu acervo. Esta responsabilidade é a chave para a profissão e separa os bons dos maus profissionais.

Por fim, aguardar o resultado na revista e, se tudo correu bem, ter a alegria de ver uma ideia sair de um rabisco no papel para virar realidade nas páginas da revista.

Texto: Ana Cris Willerding

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